Dedicado à Grace Lisbôa Azevedo,
o meu amor eterno, e a todos os nossos.
Em tempos de Natal, o consumo é acelerado, os presentes e lembrancinhas do final no ano movimentam a economia, o dinheiro circula e os empregos temporários salvam o orçamento de muita gente. As pessoas enfeitam suas casas, desejam o “bom dia” que não desejaram ao longo do ano todo. Cercam-se dos seus, comem muito, bebem muito, celebram o tal espírito do Natal.
A merda toda deste tempo, penso eu, é que geralmente confundimos plenitude com fartura, com multidão, com barulho. Não que tudo isso não faça parte, mas confesso que, este ano particularmente, descobri que a plenitude é silenciosa, não por constrangimento ou embaraço, mas por transcender o que se pode ver ou tocar.
A plenitude é interior. Vem do âmago e transborda por nossos sentidos, emoções, gestos e ações. Não se pode colocar a plenitude numa bela caixa, pendurá-la numa árvore de natal, ou entregá-la de presente. A plenitude nasce quando corações se encontram de forma profunda e inefável na verdadeira história do amor.
Não há presente, não há consumo, não há festa ou celebração que inspire a completude de um ser mais do que amor, do que saber-se amado e nesta mesma via amar sem medidas. Os presépios luxuosos em barroco antigo folhados em ouro caricaturam a simplicidade do amor, da entrega, da lealdade, da cumplicidade, da confiança extrema e sem reservas. A beleza visível por vezes ilude uma multidão de infelizes que não conseguem olhar para dentro de si, e catatônicos perdem-se no luzir tradicional do final de ano.
Repito: a plenitude é o amor. É saber-se amado e nesta mesma via amar sem medidas. Amar com verdade! Amar com aceitação! Amar apesar dos limites, da distância. Amar não só pelo que se tem, pelo que se vê e pelo que se sente, mas amar além… Mais do que o falatório, o amor nos ouve. Mais do que a comilança, o amor nos satisfaz. Mais do que o barulho, o amor nos ouve. Mais do que o luxo, o amor nos acolhe em conforto.
Todo o resto tem o seu sabor, mas nada me completa tanto quanto o amor! Feliz Natal para você! Feliz você que entendeu a plenitude. Feliz o amor que ama sem medidas!
The only baggage you can bring
Is all that you can’t leave behind
Walk on| U2