Notas de um rodapé de mim mesmo!
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Planejar o futuro

October 4th, 2011 | Posted by Juliano Pozati in Planejamento - (0 Comments)

- Gatinho de Cheshire, o senhor poderia me dizer, por favor,
qual o caminho que devo tomar para sair daqui?
- Isso depende muito de para onde você quer ir –  respondeu o Gato.
- Não me importo muito para onde… retrucou Alice.

– Então não importa o caminho que você escolha – disse o Gato.

(Alice no País das Maravilhas – Capítulo 6 “Porco e Pimenta”)

O clássico diálogo entre Alice e o Gato chama à atenção para uma questão inconveniente: não estamos acostumados a planejar nosso futuro! Nossa preocupação quase sempre se limita aos detalhes do caminho, independente de para onde ele esteja nos levando. Há pouco tempo ouvi a brilhante Beth Durgan dizer que “o cotidiano é o verdadeiro drama da vida, pois sufoca os sonhos do coração”.

Por isso, focar num futuro desejável é uma tarefa muito séria e para hoje, simplesmente porque amanhã já é futuro e quando menos se espera, o próprio futuro vira presente e o que eram grandes possibilidades viram passado.

Ainda que corra o risco de ser simplório em respeito aos 2 mil caracteres que limitam este texto, penso que duas perguntas possam ajudar você à começar este processo em sua empresa:

Onde estou e onde quero chegar? O diálogo com o Gato é incisivo: quem não sabe onde está e não sabe para onde ir, está perdido e assim continuará. Avalie bem a situação da sua empresa hoje: seu mercado, seu faturamento, número de clientes e seu grau de satisfação, a visibilidade da sua marca, seus investimentos em comunicação, seus concorrentes, etc. Entenda onde você está, e a partir daí, trace seus objetivos. Pergunte-se a si mesmo: onde quero chegar? Quero aumentar minhas vendas? Expandir minha rede de lojas? Vender pela internet para todo o mundo? O que eu quero para minha empresa?

Tão importante quanto a primeira pergunta é a segunda: Quando e como chegarei lá? Quais as medidas administrativas que preciso tomar para alcançar meu objetivo? Quanto tempo levarei para conquistar tais posições? Quanto preciso faturar e quanto preciso poupar? Quais ações posso criar, ao longo do próximo ano, para alavancar meu objetivo? Como posso surpreender meu cliente, fazendo com que ele compre novamente de mim e indique minha loja às pessoas de seu relacionamento?

Mais do que aparentes reflexões abstratas, o objetivo dessas perguntas é provocar uma mudança na postura do empreendedor e a partilha de uma visão única a respeito do negócio da empresa, que uma vez elaborada, pode e deve permear suas ações mantendo todos os colaboradores da organização focados num objetivo comum. Já diz o jargão executivo: quem não planeja o futuro, está planejando o fracasso!

Juliano Pozati é publicitário, mercadólogo e pós graduando em estratégia militar para gestão de negócios. É sócio diretor da Pozati.com e atua no mercado de comunicação há 8 anos.

Artigo publicado originalmente na revista Consumidor Cristão.

Culpar

September 25th, 2011 | Posted by Juliano Pozati in 10 Estratégias de Manipulação - (0 Comments)

Noam Chomsky desenvolveu a lista das “10 estratégias de manipulação” dos princípios sociais e econômicos de forma a atrair o apoio inconsciente dos meios de comunicação para a manipulação. Esta série especial abordará em 10 posts cada um dos mandamentos, com breves reflexões sobre suas aplicações/manifestações atuais. Para acessar a lista da série, use a tag “10 estratégias de manipulação”.

Estratégia: Reforçar o sentimento de culpa pessoal

Fazer crer ao indivíduo que ele é o único culpado de sua própria desgraça por insuficiência de inteligência, de capacidade, de preparação ou esforço. Assim, em lugar de rebelar-se contra o sistema econômico e social, o indivíduo se desvaloriza, se culpa, gerando em si um estado depressivo, que inibe a sua capacidade de reagir.

E sem reação, não haverá revolução. (Noam Chomsky)

Incutir em alguém o sentimento de culpa é sem dúvida alguma uma das mais poderosas ferramentas de manipulação de que se tem notícia. Vide a velha história do pecado. Este mandamento de Chomsky me lembra uma situação que assisti recentemente.

Foi num ônibus, cuja linha sai do bairro do Morumbi, na Zona Sul de São Paulo e vai para o Hospital das Clínicas, no Centro da cidade. Nos horários de rush, é impressionante a quantidade de pessoas que se amontoam e se esmagam umas as outras para conseguir embarcar no ônibus. Fiz uma rápida avaliação e percebi que, mais do que o trânsito caótico da metrópole, o que realmente atrasa o trajeto realizado pelo veículo são as paradas nos pontos, que consomem um tempo enorme na tentativa quase absurda te tentar embarcar mais um, como se fosse possível até mesmo contrariar a lei da física que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo.

Em meio a todo aquele aperto e com o ônibus muitíssimo acima de sua capacidade limite, as pessoas começam a ficar irritadas com o tempo que o carro fica parado, o trânsito, o horário, o aperto desumano e os pedidos no mínimo descabidos feitos pelo cobrador para que as pessoas “dêem só mais um espacinho”.

Sou um usuário eventual do transporte público, mas comecei a pensar naquela gente que todos os dias é obrigada a passar por tal constrangimento. Enquanto ainda refletia sobre a questão, uma senhora começou a culpar as pessoas que queriam embarcar, que por sua vez culpavam a senhora por não “dar um espacinho no corredor” (como se isso fosse possível); o motorista culpava as pessoas por não conseguir ver se já poderia fechar porta ou não; o cobrador culpava os passageiros por não colaborarem com o espacinho, e os passageiros esmagados e irritados com a demora, batiam da estrutura do ônibus, protestando contra o cobrador. “Vida de pobre é fogo!” – alguém resmungou.

O interessante de observar esta situação foi que, enquanto essas pessoas , na linearidade de seus pensamentos, se culpavam mutuamente pelo constrangimento que passam diariamente com o transporte público de São Paulo, a verdadeira causa sequer foi mencionada. Ninguém questionou a escassez de veículos ou o formato de concessão no transporte municipal. Ninguém questionou a ausência de um veículo maior (tratava-se de um micro-ônibus). Ninguém questionou o atraso absurdo nas obras do metrô paulistano, a falta de corredores eficientes, nem nada disso. Os verdadeiros responsáveis pela situação continuam belos e confortáveis em carros blindados pela couraça de culpa que o próprio povo se encarrega de vestir em si mesmo.

Juliano Pozati

Sob a tutela do saudoso Cel. Romeu Ferreira, refleti um pouco sobre as áreas da Inteligência e Contra-Inteligência Estratégicas aplicadas à realidade empresarial. Os órgãos de Inteligência são responsáveis pela coleta de dados, processamento e análise de informações com o objetivo de gerar conhecimento que suporte a tomada de decisão. O modelo de tal aparelho, geralmente a serviço do Estado, tem inspirado nas últimas décadas postura semelhante em empresas e organizações, sobretudo no que tange ao aumento de sua competitividade no mercado e a redução de suas vulnerabilidades.

Se a Inteligência é a responsável pela produção de conhecimento que suporte a tomada de decisão, a Contra-Inteligência (CI) visa assegurar a continuidade da atividade da Inteligência, blindando-a de qualquer força antagônica. Assim a doutrina apresentada pelo Cel. Romeu dividia a segurança pensada pela Contra-Inteligência em “Ativa” e “Orgânica”. A Segurança Ativa combate ataques iminentes ou já em curso contra a empresa ou instituição. Já a Segurança Orgânica, mais “passiva” por assim dizer, proporciona uma série de posturas e normas que visam a proteção da organização como um todo: pessoal, prédio, documentos, comunicações, etc. Nela também se encontram as medidas para Segurança Patrimonial.

Assim chego ao ponto onde fiz, juntamente com minha parceira Grace Lisbôa, uma pequena inferência na doutrina apresentada, com base em novos conceitos oriundos da chamada Era do Conhecimento.

A revolução trazida pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) inundou o cotidiano do ser  humano com um verdadeiro dilúvio de dados e informações em velocidade inédita. Neste ponto testemunhamos um verdadeiro paradoxo, pois nunca tivemos tanta informação disponível e tão pouco conhecimento. Justifico o que afirmo: dados são coletados. Uma vez processados geram informação. Mas informação não é conhecimento. Conhecimento é informação analisada pela inteligência humana. De forma que engana-se quem pensa que conhecimento é sinônimo de estar bem informado. Conhecimento é o resultado do processamento analítico de informações que fornece subsídios essenciais para tomada de decisões estratégicas.

Logo: Dados ► Informações ► Conhecimento ► Poder!

Em todo esse processo, que de alguma forma resulta ou objetiva resultar em poder, não falamos em nenhum momento de coisas tangíveis. Todos os dados, informações e conhecimentos gerados são Ativos Intangíveis cada vez mais presentes nas companhias. E é justamente aí que nos vimos em xeque quanto aos tipos de segurnaça apresentados pela doutrina de CI, sobretudo com vistas à Segurança Patrimonial. Não a doutrina em si, mas o próprio conceito de “patrimônio”, que é muito mais amplo do que simplesmente escritórios, mesas, cadeiras, clips e computadores. Cito por exemplo, a já tradicional avaliação de BrandValue publicada anualmente, com a lista das marcas mais valiosas do mundo. No ano de 2010 por exemplo, a marca Apple teve uma valorização de mercado de 84%, sendo avaliada em $153 Bi! Somente a marca senhores, a famosa maçã mordidinha que hoje está adesivada no porta-malas dos carros de todos os Apple-Maníacos de plantão a redor do mundo. O valor geral de mercado da companhia é de $330 bilhões. Ou seja, 46% do valor geral de mercado da companhia diz respeito somente à um de seus ativos intagíveis: sua marca.

Assim a proposição que fizemos diz respeito a ampliar na doutrina as áreas de atuação da Contra-Inteligência Empresarial (Segurança Ativa e Orgânica) contemplando o que eventualmente convenionamos chamar “Segurança de Ativos Intagíveis” com vistas a proteger contra ameaças adversas todos os bens não-físicos mas de importância vital e inquestionável para a continuidade da organização. Eu diria até mesmo que o jogo estratégico das companhias globais se estabelece muito mais de forma intangível, do que tangível. Pense comigo: pouco prejuizo poderia ser causado à Apple se uma de suas fábricas fosse alvo de um atentado, ou se uma loja fosse destruída. Mas quanto prejuízo rumores caluniosos sobre a Marca e Reputação da companhia não poderiam causar? Vide o que o mero rumor da enfermidade de Steve Jobs causou às ações da empresa na bolsa…

Assim o pensamento de Contra-Inteligência com foco na Segurança de Ativos Intangíveis ainda tem um amplo campo de estudos à desbavrar, o que deixa claro para todos os leitores que a Era do Conhecimento ainda provocará a releitura de muitos conceitos, exigindo cada vez mais das companhias medidas agéis para adaptação mercadológica.

 

Juliano Pozati

 

 

A Contra-inteligência na Atividade de Inteligência Empresarial: um olhar para Segurança Patrimonial

Por Grace Lisboa Azevedo e Juliano Pozati

A atividade de Inteligência clássica possui uma peculiaridade distintiva: tem um ramo que produz os conhecimentos e outro que cuida de protegê-los, isto é, a Inteligência e a Contra-Inteligência. A Contra-Inteligência garante o controle, a compartimentação e o sigilo. A Inteligência produz, e a Contra-inteligência garante que a Inteligência continue produzindo. CEL. ROMEU ANTONIO FERREIRA

A contra-inteligência é importante para prevenir, detectar e neutralizar qualquer inteligência adversa que ameace a salvaguarda de dados, informações, bens e patrimônio de empresas/organizações de pequeno, médio ou grande porte. Estas ficam menos volúveis se capazes de produzir informações eficazes a ponto de neutralizar possíveis ataques.

A aplicação de técnicas consistentes auxiliam na manutenção da competitividade e protegem a empresa de qualquer vulnerabilidade.

A contra-inteligência não visa apenas a proteção do patrimônio tangível da empreza/organização, mas também seu ativo intangível. Desta forma, a contra-inteligência protege a empresa de qualquer ataque como contra sua áreas, instalações, documentos, materiais, equipamentos e principalmente pessoas, que normalmente são o elo mais fraco das empresas. Pessoas podem agir com atividades ilícitas, fraudulentas, vazar informações, causar perdas financeiras e destruir a reputação da empresa. Furtos e crimes são inerentes a qualquer instituição.

No caso da segurança dos Sistemas de Informação, as perdas das empresas causadas por fraudes e furtos são, muito frequentemente, provocadas por quadrilhas que atuam em cumplicidade com empregados ou ex-empregados da própria empresa. Tais delitos devem ser apurados de forma discreta, desenvolvendo diligências de forma autônoma e imparcial e mantendo sigilo absoluto das investigações. É também função da contra-inteligência criar procedimentos adequados para que a apuração seja realizada de forma eficiente e eficaz.

Nos dias atuais podemos contar com o que há de mais moderno em tecnologia aplicada à segurança. O que antigamente parecia ser possível só na ficção científica, hoje é real e disponível aos olhos dos que buscam segurança.

Clientes contam com empresas especializadas nos mais avançados recursos tecnológicos e equipamentos de última geração com qualidade, eficiência e desempenho. Os sistemas são gerados a partir da análise de riscos, e assim, integram soluções eletrônicas conforme as necessidades dos clientes. São prestações de serviços inteligentes que prometem garantir a satisfação e tranqüilidade das empresas.

Mas o fato é que o ser humano vêm observando ao longo dos anos muitas ações de violência em seu meio social, seja esta pessoal ou patrimonial. Desta forma, idealizam meios de proteção individual e coletiva, sempre na busca de uma segurança que parece ser quebrada constantemente.

Para se ter uma idéia, de acordo com dados da ABESE, a região Sudeste do Brasil concentra os investimentos em sistemas eletrônicos de segurança do país, detendo 53% do mercado. O setor de segurança eletrônica lucra com o medo e a precaução: o crescimento médio é de 13% por ano e, em 2010, movimentou US$ 1,68 bilhão (R$ 2,68 bilhões).

A pergunta inerente a todo este crescimento diz respeito a grande escalada que temos visto: a medida que a tecnologia da segurança patrimonial avança em recursos, proteção e preços cada vez menos módicos, a inexorável violência expressa pelo ser humano parece mostrar ser sempre possível descer mais um degrau na escala da brutalidade no trato ao semelhante quando visando a própria vantagem. Desta forma, que inteligência pode prever onde chegaremos?